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| Vladimir Lênin, líder da Revolução Russa |
A política não é uma ciência exata. E nem sempre a concretização dos nossos princípios estão ao alcance das mãos. Muitas vezes o processo é tortuoso e requer avanços e recuos. Na história temos exemplos fantásticos de situações que exigiram decisões graves por parte dos seus protagonistas. Vou lembrar de duas situações: Vladimir Lênin e a NEP; Antonio Gramsci e a política da Internacional Comunista na década de 30.
Os bolcheviques haviam derrotado os russos brancos e a burguesia internacional em uma guerra civil de três anos. O conflito começou em 1918 e terminou em 1921. Durante este período desenvolveu-se o chamado comunismo de guerra, quando ocorreram confiscos da produção de grãos e recrutamento forçado para o trabalho. Representou a militarização da economia e um grande sacrifício para a população russa.
Ao final do conflito o país estava destroçado. O líder da primeira revolução socialista bem sucedida do mundo estava diante de um imenso dilema: como reorganizar a economia de um país destruído? Lênin, em um momento de lucidez típico dos líderes, instituiu a chamada Nova Política Econômica (NEP), permitindo o crescimento da iniciativa privada em diversos setores, em especial a produção de alimentos e distribuição.
Após longos debates internos, o principal líder da revolução socialista permitiu o desenvolvimento da economia de mercado, logo após a derrota do czarismo! Diante da reação estupefata de alguns companheiros de revolução, Lênin formulou a célebre frase: um passo atrás para dar dois à frente! Ou seja, encontrou outros caminhos para atingir os objetivos da revolução, sem abandonar seus princípios, e assim "tomar fôlego" para continuar o processo desencadeado em 1917. Não conseguiu terminar o que começou, morreu em 1924.
O que interessava para Lênin era alcançar a sociedade socialista e se isso significasse um recuo temporário nos objetivos imediatos, não seria vergonhoso. O que mais Lênin criticava era o esquerdismo dos que acreditam que suas convicções são suficientes para mudar a realidade. A correlação de forças é que impõem os limites e possibilidades da ação política e não o voluntarismo das boas intenções.
O que interessava para Lênin era alcançar a sociedade socialista e se isso significasse um recuo temporário nos objetivos imediatos, não seria vergonhoso. O que mais Lênin criticava era o esquerdismo dos que acreditam que suas convicções são suficientes para mudar a realidade. A correlação de forças é que impõem os limites e possibilidades da ação política e não o voluntarismo das boas intenções.
O irônico é que a estatização da economia só foi acontecer com Josef Stálin durante os planos quinquenais, quando a NEP foi suspensa. Surgiram as fazendas coletivas, estatais, as fábricas administradas pelo Estado, etc.
Lênin também formulou a noção de que no ocidente não poderia ser aplicada a mesma fórmula adotada na Rússia de 1917. Em outras palavras, não seria possível tomar o poder na Europa ocidental como os bolcheviques fizeram na Rússia semi-feudal. Lá, escrevia Lênin, os comunistas deveriam preocupar-se com a conquista da direção das frentes únicas (propostas por Lênin e os bolcheviques no IV Congresso da Internacional Comunista, em 1922, como instrumento de ação política).
Nas mãos de Gramsci, a diferença traçada por Lênin entre ocidente e oriente se transformou em "guerra de movimento" (assalto ao poder, Rússia) e "guerra de posição" (construção da hegemonia, Europa ocidental). A célebre sentença gramsciana nasce aí: enquanto no oriente a sociedade é gelatinosa e o Estado é tudo; no ocidente existe um complexo sistema de casa-matas e trincheiras, onde o Estado é simplesmente o posto avançado ou quartel-general da classe hegemônica. O assalto ao poder é impossível no ocidente.
Pois bem, Gramsci também se deparou com um grave desafio enquanto estava na cadeia. A linha da Internacional Comunista, na década de 30, era de combater o fascismo e a social-democracia europeia, a qual chamava social-fascista. A política da Internacional, já sob a influência do stalinismo, era isolar a social-democracia e combatê-la com a mesma veemência que combatiam o fascismo. Um erro histórico.
Esta política da Internacional possibilitou o desastre da ascensão hitlerista na Alemanha e do fascismo na Itália. Os números das últimas eleições parlamentares alemãs comprovam que o PC Alemão, os socialistas e a social-democracia possuíam força política e eleitoral para contrapor-se aos nazistas, impedindo o avanço sobre o Estado. Só a unidade permitiria a resistência, o que não ocorreu.
Gramsci foi contra a linha da Internacional, antevendo o resultado. Em debates com comunistas na cadeia, Gramsci defendia uma ampla aliança com a social-democracia e os socialistas para derrotar os fascistas. Ainda operava, portanto, na política do período anterior, das frentes amplas. Foi duramente criticado e até combatido, sendo isolado pelos próprios camaradas de partido. Gramsci assumiu a responsabilidade de defender algo terrível para os esquerdistas de plantão: frente ampla.
Após a Segunda Guerra Mundial (Gramsci morreu em 1937), a Internacional deu uma nova virada. Em uma espécie de auto-crítica velada, o stalinismo propôs as Frentes Populares, que aceitariam até a burguesia nacional em sua composição.
O capitalismo estava em situação complexa, o inimigo comum havia sido derrotado, a burguesia assustada com a URSS e a classe trabalhadora em movimento por mudanças. O cenário era propício para transformações mais efetivas. Não à toa, o welfare state europeu se formou no pós-guerra como resposta ao ascenso do movimento operário e para conter o avanço do comunismo no ocidente.
De qualquer forma, os exemplos aqui citados revelam que se o adversário é forte não se pode perder a oportunidade de reunir todas as forças possíveis, preparando os embates decisivos. Também são histórias/lições que nos ensinam não temer as decisões difíceis, mesmo quando elas, aparentemente, nos desviam dos nossos sonhos.
Após a Segunda Guerra Mundial (Gramsci morreu em 1937), a Internacional deu uma nova virada. Em uma espécie de auto-crítica velada, o stalinismo propôs as Frentes Populares, que aceitariam até a burguesia nacional em sua composição.
O capitalismo estava em situação complexa, o inimigo comum havia sido derrotado, a burguesia assustada com a URSS e a classe trabalhadora em movimento por mudanças. O cenário era propício para transformações mais efetivas. Não à toa, o welfare state europeu se formou no pós-guerra como resposta ao ascenso do movimento operário e para conter o avanço do comunismo no ocidente.
De qualquer forma, os exemplos aqui citados revelam que se o adversário é forte não se pode perder a oportunidade de reunir todas as forças possíveis, preparando os embates decisivos. Também são histórias/lições que nos ensinam não temer as decisões difíceis, mesmo quando elas, aparentemente, nos desviam dos nossos sonhos.

